sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Colônia Do Sacramento: Onde o Uruguai começou

De férias em Buenos Aires, meu marido e eu decidimos visitar o Uruguai. A ideia inicial era ir a Montevideo.  A viagem é de ferry boat pelo Rio da Prata, dura duas horas e meia e dá pra ir e voltar no mesmo dia. Diante da infinidade de coisas que existem por lá pra conhecer e levando em consideração que reservamos só um dia pra isso, optamos por Colônia do Sacramento. Foi, sem dúvida, a melhor escolha. 
A viagem dura uma hora no ferry boat. Dá pra conhecer a parte histórica da cidade em um dia tranquilamente e ainda desfrutar um pouco do clima local. Saímos de Buenos Aires às sete e meia da manhã. Chegamos à Colônia, às 8:30. A vista, ainda do barco, é encantadora.

Colônia do Sacramento vista pelo Rio da Prata.
Colônia do Sacramento foi povoada primeiro, por portugueses, em 1680. Eles invadiram o que seria território espanhol segundo o Tratado de Tordesilhas, para traficar escravos, ouro e prata. Foi nomeada inicialmente como Nova Colônia do Santo Sacramento. O local é estratégico, uma península no rio da Prata. Depois de 97 anos de disputa entre Portugal e Espanha, até as terras voltarem para o domínio hispânico. Durante todo esse tempo, portugueses e espanhóis nunca ocuparam simultaneamente o mesmo espaço.

O vilarejo, onde tudo começou, fica atrás de uma muralha, o bastião de São Miguel. Logo na chegada, os visitantes se deparam com um cenário que lembram os filmes medievais. A ponte elevadiça controlava a entrada dos moradores da época.

Portão de entrada do vilarejo onde começou o povoamento do Uruguai.

Ponte vista do alto da muralha.
Em 1995, Colônia do Sacramento foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural pela Unesco. É o único patrimônio desse tipo do Uruguai. Para isso, as casas foram restauradas para que ficassem como séculos atrás. A sensação é de uma viagem no tempo, em alguns momentos. Nas ruas, ficam evidentes os traços lusos e hispânicos dos anos de disputa e ocupação. Casas portuguesas, mais simples, baixas... Casas espanholas, de arquitetura imponente, altas, com resquícios da influência moura.
Casa portuguesa, uma das primeiras do povoado.
Construção de arquitetura espanhola.

 A simplicidade faz de Colônia um lugar acolhedor. Flores nas fachadas, praças verdes, calmaria. A parte histórica é relativamente pequena, como disse antes, dá pra conhecer em um dia. E, talvez, justamente por isso, por sentir o tempo passar diferente, seja tão sedutor. O povo é de uma simpatia à parte, sempre com um sorriso no rosto e solícitos. 


O carro antigo se transformou em um mini jardim...

Flores enfeitam as fachadas de casas e do comércio.

Por se tratar de uma área turística, lá o comércio aceita tanto Peso Uruguaios, Peso Argentino quanto Real. O que, no nosso caso, facilitou bastante. A viagem foi em agosto, mês de inverno, e quanto mais ao sul, mais rigorosa a estação. Por isso, é bom verificar o clima antes de fazer as malas. No meu caso, levei bastante agasalho daqui do Brasil.
Bem perto do porto, onde as embarcações chegam e saem durante todo o dia, dá pra descansar admirando o Rio da Prata, ouvindo o canto dos pássaros. Pra quem curte a natureza, é tudo de bom. 



Parque ao lado do porto.







segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Sobre a Felicidade

"O que faz você feliz"?
A sensação do vento acariciando o rosto, comprar algo que desejava muito... Um abraço sincero, um presente inesperado. Entre coisas e sentimentos o que fica claro é que a felicidade é subjetiva. É pessoal e intransferível.
Enquanto alguns a encontram em festas agitadas, bebedeira e muito barulho, outros são plenamente felizes na mais pura tranquilidade. Se para uns felicidade é ter, pra outros basta ser.
Ser leveza, ser sinceridade. Ser de verdade. As horas de conversa com alguém querido podem valer mais que o mais caro dos bens materiais. Presença vale mais que presente.
Difícil é, nos dias de hoje, em um mundo tão globalizado fazer valer essa subjetividade. Ao invés de dar espaço à diversidade parece que se quer unificar o que é plural. Na correria, se esquece de observar a essência de cada um. E o que nos faz únicos no mundo se perde aos poucos em meio à generalizações.
A vida é curta. Cada segundo nosso vale muito. Façamos valer nossa passagem na Terra. Vida foi feita pra viver. E que seja vivida em sua plenitude, com o que faz nosso coração bater de verdade. Ser feliz é simples, a gente é que complica querendo o que o mundo estabelece como o ideal pra nós.
Que a felicidade seja vista ao presenciar o desabrochar das flores, ao assistir ao nascer ou por do sol. Que seja perder a hora numa conversa com amigos ou estar com a família e compartilhar sentimentos. Que sejamos felizes ao termos esses pequenos momentos, cada vez mais raros.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

"Agradecer também faz parte da Oração"

Gratitude. Gratitud. Gratidão.
O título é de uma música do Ivo Mozart. As primeiras palavras do texto, uma palavra que não sai da minha cabeça, escrita em alguns idiomas.
Palavrinha simples que tem o poder de movimentar o mundo, amolecer os corações mais duros, despertar os mais sinceros sentimentos.
Mas só é grato quem consegue ver além. Ao invés de obstáculos, que tal desafios a serem superados? Ao invés do "não", que tal enxergar um "ainda não é a hora"?
É preciso calma para respirar e reconhecer o valor de cada segundo que o presente nos dá. Reconhecimento, aliás, é a essência da gratidão. Não por acaso, no francês "reconnaissance" - ou reconhecimento - é uma das palavras usadas para se referir a este gesto muitas vezes tão esquecido.
É dela que nascem novas possibilidades. Ela fortalece os laços, cria ligações muitas vezes inimagináveis. Quanto mais se agradece, mais portas se abrem, mais a vida acontece.
Só que é fundamental entender as mensagens das entrelinhas. Gratidão é sentimento que nasce nos detalhes, É virtude de poucos. Atitude de quem tem coração nobre.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

DESACELERA...

Desacelera, Ana Cláudia. De-sa-ce-le-ra!
Esse verbo tem me acompanhado há algum tempo. Com mais frequência, nos últimos anos, quando passei a me dividir em mil e uma funções. Das aulas de pilates às de direção, tive que me concentrar em diminuir o ritmo. Tarefa difícil, principalmente quando nos acostumamos a correr sem parar para pensar na rotina frenética em que nos colocamos.
Sim, tudo na vida é uma questão de escolha. Movidos por uma necessidade momentânea ou a longo prazo acumulamos responsabilidades, planos... Nos perdemos em nossos planejamentos. Contamos as horas, traçamos roteiros para nossas vidas. Temos que cumprir metas.
Na ditadura dos relógios, em busca do que projetamos adiante, acabamos por deixar passar - por vezes - o essencial. Quando a gente desacelera percebe tudo com mais clareza. É aí que temos a chance de observar, com CALMA, o que a alma tem de fato a dizer.
É devagar que a vida vai dando certo. É aos poucos que a vida acontece. Respire fundo, sem pressa. Desacelere seus pensamentos... Crie uma nova rotina. Sinta a vida ao invés de simplesmente achar que vive. A mudança acontece. No tempo certo, quando tem que ser. Sem ansiedade o olhar sobre o mundo é diferente. Com mais leveza é mais fácil ser feliz.

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ana... Crônica

Observadora do tempo...
Dona de mim.
Calmaria ou tormento.
Início ou fim.
Na relatividade do universo
Sou Ana... Crônica.
Prosa em verso.
Nota desarmônica
Na busca do melhor tom
Antagônica sinfonia
Bem e mal, mau ou bom
Equilíbrio, vida em harmonia.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Attraversiamo: Um Pouco Mais Sobre as Travessias

"O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia"

A frase de Guimarães Rosa é para lembrar o post sobre a vida e suas travessias e, claro, retomar o assunto conforme foi prometido. Essa travessia cheia de vida, com seus altos e baixos existe para mostrar a efemeridade das coisas, de nós mesmos. Vivemos intensamente emoções. Quantas vezes achamos que a dor não iria passar, e passou? Na empolgação da alegria nos esquecemos que ela também não é eterna.
Viver plena e conscientemente cada instante que a vida nos proporciona é que dá sentido a ela. É o se conhecer para evoluir. Avançar, abrir caminhos e atravessar a fase na qual se está. Termina um período, outro tem início. Todo novo começo vem do fim de um outro começo. As travessias são importantes para o crescimento. E não foi só Guimarães Rosa quem destacou isso não.
A escritora norte americana Elizabeth Gilbert falou sobre o mesmo assunto em uma de suas mais conhecidas obras: "Comer, Rezar e Amar". O termo usado é um verbo em italiano: "attraversiamo" , que significa vamos atravessar. Assim mesmo, conjugado na primeira pessoa do plural. Porque todos nós fazemos nossas travessias. Algumas vezes juntos, dividindo sentimentos e sensações. Outras, acompanhados de nós mesmos, numa jornada que precisa ser vencida pelo "eu".

Liz Gilbert, em suas andanças na busca por ela mesma, pela pessoa que se perdeu em meio a expectativas e rotinas alheias à sua, descobre o mundo e se encontra. Conhece o verbo "attraversiamo" em sua passagem pela Itália. Em seguida, descobre que cada um deve ter uma palavra para se identificar com a vida. Ao se autodescobrir volta ao "attraversiamo", sua palavra de vida. Ela atravessou o mundo em busca do encantamento que tinha perdido. Encontrou e renasceu.
Claro que não é preciso darmos a volta ao mundo para fazermos nossas travessias. Basta nos libertarmos do que nos prende. Conceitos, opiniões... O que vem dos outros, aos outros pertence. Cada um sabe de si, de sua travessia. Que façamos com que ela seja suave. Que tenhamos força para suavizar as intempéries. Que sejamos nós em nós mesmos, muito além das expectativas e projeções que nos lançam. Que possamos viver nossa real travessia.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Quem já ouviu Semisonic?

Hoje, o papo é sobre música. O Atemporal viajou no tempo e apresenta a você um pouco do rock alternativo do Semisonic. O grupo criado em 1995 - em Minneapolis no estado de Minnesota, nos Estados Unidos - surgiu depois que a Trip Shakespeare se desfez. Os integrantes, Dan Wilson (Guitarra/Vocal), John Munson (Baixo) se uniram ao guitarrista Jacob Slichter e formaram uma nova banda.
Neste mesmo ano foi lançado o primeiro trabalho, " Pleasure", um EP (sigla em inglês de Extended Play, um cd com número menor de músicas). Em 1996, veio o álbum completo, "Great Divide".
Você com certeza deve ter ouvido alguma música desses caras. O som é bem marcante. Um rock meio Indie... Som alternativo bem elaborado. Uma das canções mais conhecidas é de 1998, "Closing Time". Foi inclusive trilha sonora de filmes recentes.



Uma outra canção que fez bastante sucesso foi "Secret Smile". Em 1999, foi uma das mais tocadas nas rádios do Reino Unido.



"All About Chemistry", que traz uma música com o mesmo título é um cd de 2001.



Em 2002, veio "One Night at First Avenue". Um álbum gravado ao vivo na cidade onde o grupo nasceu. Esta foi a última gravação do Semisonic até o momento.

Foram sete anos juntos. Hoje, integrantes do Semisonic fazem trabalhos solo. Volta e meia realizam alguns shows como nos velhos tempos. Em entrevista à revista Rolling Stone no ano passado,  Dan Wilson - que atualmente faz apresentações sozinho - disse que a banda "não é uma porta fechada". Pensa até que um novo álbum com o grupo seria interessante.
Vamos aguardar então. Porque a boa música não pode parar.