De férias em Buenos Aires, meu marido e eu decidimos visitar o Uruguai. A ideia inicial era ir a Montevideo. A viagem é de ferry boat pelo Rio da Prata, dura duas horas e meia e dá pra ir e voltar no mesmo dia. Diante da infinidade de coisas que existem por lá pra conhecer e levando em consideração que reservamos só um dia pra isso, optamos por Colônia do Sacramento. Foi, sem dúvida, a melhor escolha. A viagem dura uma hora no ferry boat. Dá pra conhecer a parte histórica da cidade em um dia tranquilamente e ainda desfrutar um pouco do clima local. Saímos de Buenos Aires às sete e meia da manhã. Chegamos a Colônia, às 8:30. A vista, ainda do barco, é encantadora.
Colônia do Sacramento vista pelo Rio da Prata.
Colônia do Sacramento foi povoada primeiro por portugueses, em 1680. Eles invadiram o que seria território espanhol segundo o Tratado de Tordesilhas, para traficar escravos, ouro e prata. Foi nomeada inicialmente como Nova Colônia do Santo Sacramento. O local é estratégico, uma península no rio da Prata. Foram 97 anos de disputa entre Portugal e Espanha, até as terras voltarem para o domínio hispânico. Uma curiosidade: durante todo esse tempo, portugueses e espanhóis nunca ocuparam simultaneamente o mesmo espaço. O vilarejo onde tudo começou fica atrás de uma muralha, o bastião de São Miguel. Logo na chegada, os visitantes se deparam com um cenário que lembra os filmes medievais. A ponte elevadiça controlava a entrada dos moradores da época.
Portão de entrada do vilarejo onde começou o povoamento do Uruguai.
Ponte vista do alto da muralha.
Em 1995, Colônia do Sacramento foi declarada Patrimônio Histórico e Cultural pela Unesco. É o único patrimônio desse tipo no Uruguai. As casas foram restauradas para que ficassem como séculos atrás. A sensação é de uma viagem no tempo em alguns momentos. Nas ruas, ficam evidentes os traços lusos e hispânicos dos anos de disputa e ocupação. Casas portuguesas, mais simples, baixas... Casas espanholas, de arquitetura imponente, altas, com resquícios da influência moura.
Casa portuguesa, uma das primeiras do povoado.
Construção de arquitetura espanhola.
A simplicidade faz de Colônia um lugar acolhedor. Flores nas fachadas, praças verdes, calmaria. A parte histórica é relativamente pequena, como disse antes, dá pra conhecer em um dia. E, talvez, justamente por isso, por sentir o tempo passar diferente, seja tão sedutor. O povo é de uma simpatia à parte, sempre com um sorriso no rosto e solícito.
O carro antigo se transformou em um mini jardim...
Flores enfeitam as fachadas de casas e do comércio.
Por se tratar de uma área turística, lá o comércio aceita tanto Peso Uruguaio, Peso Argentino quanto Real. O que, no nosso caso, facilitou bastante. A viagem foi em agosto, mês de inverno, e quanto mais ao sul, mais rigorosa a estação. Por isso, é bom verificar o clima antes de fazer as malas. No meu caso, levei bastante agasalho daqui do Brasil. Bem perto do porto, onde as embarcações chegam e saem durante todo o dia, dá pra descansar admirando o Rio da Prata, ouvindo o canto dos pássaros. Pra quem curte a natureza, é tudo de bom.
Hoje, o papo é sobre música. O Atemporal viajou no tempo e apresenta a você um pouco do rock alternativo do Semisonic. O grupo criado em 1995 - em Minneapolis no estado de Minnesota, nos Estados Unidos - surgiu depois que a Trip Shakespeare se desfez. Os integrantes, Dan Wilson (Guitarra/Vocal), John Munson (Baixo) se uniram ao guitarrista Jacob Slichter e formaram uma nova banda.
Neste mesmo ano foi lançado o primeiro trabalho, " Pleasure", um EP (sigla em inglês de Extended Play, um cd com número menor de músicas). Em 1996, veio o álbum completo, "Great Divide".
Você com certeza deve ter ouvido alguma música desses caras. O som é bem marcante. Um rock meio Indie... Som alternativo bem elaborado. Uma das canções mais conhecidas é de 1998, "Closing Time". Foi inclusive trilha sonora de filmes recentes.
Uma outra canção que fez bastante sucesso foi "Secret Smile". Em 1999, foi uma das mais tocadas nas rádios do Reino Unido.
"All About Chemistry", que traz uma música com o mesmo título é um cd de 2001.
Em 2002, veio "One Night at First Avenue". Um álbum gravado ao vivo na cidade onde o grupo nasceu. Esta foi a última gravação do Semisonic até o momento.
Foram sete anos juntos. Hoje, integrantes do Semisonicfazem trabalhos solo. Volta e meia realizam alguns shows como nos velhos tempos. Em entrevista à revista Rolling Stone no ano passado, Dan Wilson - que atualmente faz apresentações sozinho - disse que a banda "não é uma porta fechada". Pensa até que um novo álbum com o grupo seria interessante.
Vamos aguardar então. Porque a boa música não pode parar.